quinta-feira, 14 de maio de 2026

MÉDICOS ITAUNENSES

 

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA MG
Dr. Dario e Dr. Lincoln: a trajetória dos primeiros itaunenses formados na UFMG

A fundação da Escola de Medicina de Belo Horizonte em 1911, representou um marco no ensino superior de Minas Gerais.

Instalando-se em um palacete no centro da jovem capital, a instituição se tornaria, anos mais tarde, a renomada Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Em dezembro de 1917, no período da Primeira República, concluiu-se a primeira turma de formandos, cuja diplomação oficial ocorreu em março de 1918, após o reconhecimento pelo Conselho Superior de Ensino. 

Entre os alunos pioneiros desse grupo estavam dois jovens de Itaúna: Dario Gonçalves de Souza e Lincoln Nogueira Machado.

A presença desses dois itaunenses nesse seleto grupo evidencia a inserção precoce do município nos caminhos da ciência médica e destaca o protagonismo de suas trajetórias na saúde e na vida pública da região.

Dr. Dario Gonçalves de Souza: Medicina, Indústria e Vida Pública

Nascido em Itaúna, em 15 de novembro de 1893, Dario Gonçalves de Souza seguiu o pioneirismo na Medicina de seu pai, o médico Dr. Augusto Gonçalves de Souza, que se formou em 1888 pela Faculdade do Rio de Janeiro, no final do Brasil Império. Formado pela Universidade de Minas Gerais, fixou-se em sua terra natal, onde honrou o juramento médico com dedicação integral, conquistando a confiança e o reconhecimento da população. 

Em 1923, além de contrair matrimônio com D. Judith Camardel Gonçalves — cujo nome hoje é preservado em Itaúna pela Escola Estadual Dona Judith Gonçalves, situada no bairro Santanense — foi eleito "Presidente da Câmara Municipal e Agente Executivo, como à época se denominava o atual cargo de Prefeito", promovendo obras relevantes para a cidade.

Na década de 1930, sua atuação se ampliou para o setor industrial, ao assumir a presidência da Companhia Industrial Itaunense, cargo que exerceu por décadas. Também dedicou parte significativa de sua vida ao Hospital Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, do qual foi provedor por mais de trinta anos.

Homem de visão empresarial e social, também participou de importantes instituições de Minas Gerais. Seu legado é lembrado até hoje, sendo patrono da unidade Escola SESI Itaúna "Dario Gonçalves de Souza". Faleceu em 15 de novembro de 1970, aos 77 anos, justamente no dia de seu aniversário.

Dr.Lincoln Nogueira Machado: Medicina, Literatura e Política

Também nascido em Itaúna, em 15 de junho de 1893, Lincoln Nogueira Machado destacou-se como médico, poeta, educador e homem público. Após estudos em São João del-Rei, ingressou na Escola de Medicina de Belo Horizonte. Sua carreira, porém, transcendeu o consultório.

Na saúde, atuou desde a fundação da Casa de Caridade Manoel Gonçalves, em 1919, sendo médico dedicado até o fim da vida. Exerceu cargos públicos de destaque: foi Chefe do Posto de Profilaxia de Itaúna, vereador, presidente da Câmara Municipal e, entre 1936 e 1947, prefeito de Itaúna, nomeado por Benedito Valadares e depois eleito pelo povo.

Intelectual refinado, era também poeta e escritor. Em 1947, lançou o livro “Médicos de 1917”, obra em que, com lirismo e erudição, retratou seus colegas da primeira turma. Além disso, lecionou Língua Portuguesa na Escola Normal Manoel Gonçalves e escreveu artigos para a imprensa local.

Na vida pessoal, constituiu família com Laudelina de Carvalho Machado, com quem teve quatro filhos. Faleceu em 6 de abril de 1968, deixando um legado de amor à medicina, à literatura e ao serviço público.

Em reconhecimento à sua contribuição para a cidade, uma instituição de ensino leva o seu nome: a Escola Municipal Doutor Lincoln Nogueira Machado, perpetuando sua memória junto às novas gerações de itaunenses.

O Legado

A presença de dois filhos de Itaúna na primeira turma de médicos de Belo Horizonte é motivo de orgulho histórico. Ambos uniram a vocação médica a papéis de liderança comunitária e política, participando ativamente da construção do município e de suas instituições.

Enquanto o Dr. Dario Gonçalves de Souza simboliza a fusão entre medicina, política e indústria, sendo lembrado como patrono e líder empresarial, o Dr. Lincoln Nogueira Machado personifica a síntese entre ciência, literatura e vida pública, eternizado como médico humanista, poeta e administrador.

Suas trajetórias, entrelaçadas desde a juventude acadêmica até a atuação em Itaúna, confirmam que a primeira turma de medicina de Belo Horizonte não apenas formou médicos, mas também líderes e visionários que moldaram o futuro das cidades mineiras.

Primeira Turma de Medicina de Belo Horizonte de 1917

Casimiro Laborne Tavares, Dario Gonçalves de Souza, Francisco de Arêa Leão, Gumercindo do Couto e Silva, Honorico Nunes de Oliveira, Irineu Lisboa, João Affonso Moreira, José Argemiro de Moura, José Camillo de Castro e Silva,  Lincoln Nogueira Machado, Luiz Gonzaga de Moura, Manoel Taurino do Carmo, Olavo de Sá Pires, Olyntho Orsini de Castro, Pedro Versiani dos Anjos, Plínio Moraes, Rivadávia Versiani Murta de Gusmão, Sóter Ramos Couto.

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HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA

IRMANDADE CASA DE CARIDADE


Referências:

Pesquisa, elaboração e arte: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

Imagem meramente ilustrativa criada com IA, inspirada no conteúdo do texto.     

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Boletim comemorativo Nº 10 [PDF]. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina da UFMG, ago. 2018. Disponível em: https://www.medicina.ufmg.br/wp-content/uploads/sites/51/2018/08/bolteim-cememor-n10.pdf. Acesso em: 16 set. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Formados – Medicina, Fonoaudiologia, Radiologia [PDF]. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina da UFMG, 3 out. 2018. Disponível em: https://www.medicina.ufmg.br/wp-content/uploads/sites/51/2018/10/FORMADOS-MEDICINA-FONOAUDIOLOGIA-RADIOLOGIA-03-10-2018.pdf. Acesso em: 16 set. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. História – Faculdade de Medicina da UFMG [online]. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina da UFMG. Disponível em: https://www.medicina.ufmg.br/institucional/historia/. Acesso em: 16 set. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. História – Faculdade de Medicina da UFMG [online]. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina da UFMG. Disponível em: linha do tempo. Acesso em: 16/09/2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Turma 1917 [PDF]. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina da UFMG, nov. 2016. Disponível em: https://www.medicina.ufmg.br/wp-content/uploads/sites/51/2016/11/TURMA_1917.pdf. Acesso em: 16 set. 2025.

SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. História de Itaúna, BH, Ed. Littera Maciel Ltda, 1986, p. 223-228.

Revista Acaiaca: Dr. Dario Gonçalves de Souza, p. 106. Ano: 1954, Org. Celso Brant, BH/MG.

Medicos Itaunenses by Itaúna Décadas

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (VI)

     HOSPITAL MANOEL GONÇALVES ITAÚNA MG

    O texto "BEXIGAS DEVASTOU ITAÚNA" aborda a epidemia de varíola que assolou a cidade de Itaúna no século XIX. A varíola, também conhecida como "bexigas", era uma doença altamente contagiosa e mortal, que causou grandes prejuízos à população local. 

    A avó de Edward Rodrigues, Amélia Augusta de Faria, relatava que o local onde estavam enterrados os doentes de varíola foi adquirido pelo seu irmão Olímpio Nogueira de Souza, próximo à Santa Casa de Caridade.

    A varíola era uma ameaça constante na época, devido à falta de conhecimento médico e à ausência de vacinas eficazes até o final do século XIX. O impacto da epidemia em Itaúna foi tão severo que a área ficou conhecida como "Bexiguento", e muitos doentes foram isolados e enterrados ali, conforme mencionado por João Dornas Filho em seu livro.

    A história da varíola no Brasil revela uma luta contínua contra a doença, que culminou com a erradicação global em 1980, graças a esforços de vacinação em massa promovidos pela OMS e OPAS a partir da década de 1940. 

    No Brasil, campanhas intensivas de vacinação e vigilância epidemiológica, como a Campanha Nacional Contra a Varíola (CNCV) e a Campanha de Erradicação da Varíola (CEV), foram cruciais para eliminar a doença.

    Em resumo, a epidemia de varíola em Itaúna é um exemplo da devastação causada por doenças infecciosas em um período histórico marcado por limitações médicas e sanitárias. A memória desses eventos destaca a importância das campanhas de saúde pública e da vacinação para prevenir tragédias semelhantes no futuro.

    BEXIGAS DEVASTOU ITAÚNA

    BEXIGAS — Assim era chamada a Varíola, uma doença infectocontagiosa que assombrou também a cidade mineira de Itaúna no século XIX.

    Minha avó Amélia Augusta de Faria contava, menina na época, que se lembrava de seu irmão Olímpio Nogueira de Souza, havia comprado o sitio onde estavam enterrados os bexiguentos. O local era depois da Santa Casa de Caridade (hoje Hospital Manoel Gonçalves) indo para o bairro Santanense.

    Anos depois, Antenor Marinho comprou o sítio, a parte bexiguenta e loteou. Como sua mulher chamava Marta, o local tomou o nome de Vila Santa Marta.

    João Dornas Filho em seu livro comenta o fato: ” A região fronteira à Casa de Caridade Manoel Gonçalves, onde se acha localizado hoje o sítio do Sr. Olympio Nogueira de Souza, chama-se Bexiguento, em virtude de uma epidemia de varíola que (quase) dizimou a população de Sant’Ana em 1880. 

    Ali foram isolados os variolosos e ali mesmo enterrados os que faleciam, em número considerável.”

    De um passado ainda com grandes dificuldades, as “memórias e histórias itaunenses” sobrevivem e permanecem …

    Edward Rodrigues

    BAIRRO SÃO JUDAS TADEU ITAÚNA MG

    Hoje : Bairro São Judas Tadeu



    Referências: 

    Texto: Edward Rodrigues da Silva (Genealogista & Historiador Itaunense)

    Foto: Google Map / Charles Aquino

    Organização e análise do texto: Charles Aquino

    Acervo: Shorp (ilustrativo)

    Fonte Pesquisa: FILHO, João Dornas. Itaúna, Contribuição para a História do Município” Editado em 1936 o registro na página 97

    DORINATO LIMA

     

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA MG

    O doutor Dorinato de Oliveira Lima nasceu aos dois dias do mês de julho de 1886, na cidade de Entre Rios de Minas, filho de Adelino de Oliveira e d. Maria Cândida de Lima Oliveira.

    Fez o curso secundário na Academia de Comércio de Juiz de Fora e diplomou-se, no ano de 1914, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, especializando-se em cirurgia. Fixou residência em Itaúna, onde instalou seu consultório médico.

    Casou-se, em 1916, com a senhora Geni Nogueira Lima, pertencente a tradicional família itaunense, eis que filha de Josias Nogueira Machado, personalidade das mais influentes no período da formação histórica do município, e de sua esposa Tereza Gonçalves Nogueira, filha de Manoel José de Souza Moreira e irmã do Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira.

    Dorinato de Oliveira Lima, por seu talento profissional, adquiriu grande renome como cirurgião. Pacientes provindos, não apenas do município, mas, também, de toda a região centro-oeste do Estado vinha a Itaúna para serem submetidos a tratamento cirúrgico, especialmente a extração do bócio, hipertrofia da glândula tireoide, popularmente conhecida como “papo”, mal que grassava, em caráter epidêmico, através de diversas regiões mineiras.

    A intensa atividade do Dr. Dorinato de Oliveira Lima, como ilustre cirurgião, imprimiu grande movimentação e elevou o conceito profissional da “Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira”, especialmente nas décadas de 1920 e 1930, sendo que esta instituição, a que tanto serviu, concedeu-lhe, post-mortem, com integral justiça, o diploma de Irmão Benemérito, em 31 de agosto de 1947 (SOUZA, 1986).

    O dr. Dorinato, estudioso e pesquisador, empreendeu duas viagens de estudos à Europa, nos anos de 1927 e 1938. Transferiu-se na década de 1930 para Belo Horizonte, com o objetivo de atuar profissionalmente em cenário mais amplo, mas manteve intactas as suas ligações com a terra de adoção. 

    Foi o período em que mais se projetou, tanto no campo profissional como na vida pública, pois se aproximara politicamente pelas mãos de Mário Gonçalves de Matos, do Interventor Benedito Valadares, de quem viria se tornar íntimo colaborador, e, nesta qualidade, passou a exercer, na década de 1930, visível influência na política municipal de Itaúna.

    Ele foi nomeado em 28 de maio de 1934, pelo Presidente Getúlio Vargas, por indicação de Benedito Valadares, membro do Conselho Consultivo do Estado de Minas, criado após a revolução de 1930, e o consequente encerramento das atividades do Poder Legislativo (SOUZA, 1986).

    Faleceu em 13 de fevereiro de 1947, aos sessenta anos de idade, sobrevivendo-lhe a esposa, D. Gení Nogueira Lima, admirável exemplo de esposa e mãe, e seus dignos filhos, doutores Tito de Oliveira Lima e F. Machado Lima.

    O “Minas Gerais”, órgão oficial do Estado, em seu necrológico publicado no dia seguinte ao de sua morte, observou com procedência:
    “Mas, no Dr. Dorinato de Oliveira Lima, o político não superava o homem, que aparecia em toda a sua bela formação humana, e no recesso do lar, onde o chefe de família, possuidor de sólidas virtudes e nobres dotes de espírito, formara uma família honrada e digna, rodeada do apreço e da admiração de toda a nossa sociedade”.

    Assim, a vida deste ilustre e digno itaunense de adoção, Dorinato de Oliveira Lima, que, mercê de seu talento, bondade e criatividade soube conquistar espaço indelével na rica paisagem humana de Itaúna (NOGUEIRA).

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA


    O EXTIRPADOR DE PAPOS

    Visto por Gibi

    Este cirurgião, que mete medo a tanta gente, pelo seu bisturi famoso, é o cidadão magnânimo, em que o sentimento de solidariedade humana fala mais alto do que as vozes do egoísmo.

    Ele faz da sua bondade uma arma terrível, porque desarma as prevenções e tempera as amizades sólidas que cedem que, que não se desarticulam, que prevalecem apesar de todos os choques de opiniões e sentimentos que dividem os homens.

    Minas inteira o conhece. Pelo menos, ouvia falar do dr. Dorinato de Oliveira Lima, ou melhor, ouviu falar no “Extirpador de Papos — tout court.

    É dos confins do sertão se descocam os desesperados de cura, fiados na proficiência do clínico e do operador. A todos atende com o mesmo desvelo, com a mesma solicitude, ricos e pobres, opulentos e mendigos, fiel ao juramento que prestou e ainda fiel ao seu coração que lhe ordena e comanda os gestos de desprendimento e os atos de generosidade.

     A sua vitória foi obtida pelos lances de bondade. A sua vitória foi alcançada mais ainda pelo seu talento, pela sua perícia, pela precisão da sua técnica. Uma vitória que fica, conseguida pelo esforço próprio, em que há episódios de grandeza moral e golpes de audácia cientifica e abnegação e certeza.

    Este é o homem temido. Faz medo a muita gente. Mas o temor humano não envolve o homem em que se confia, em que se crê, em que se fundam as últimas esperanças. O temor vem da sugestão da doença, vem da aversão ao radicalismo cirúrgico. E ele é um grande cirurgião. O bisturi é que faz tremer.

    A ciência e a bondade deram-se as mãos, fraternalmente, nesse belo espírito. Tímido, emotivo, sensível perante os fatos quotidianos, é senhor das suas emoções, seguro da sua proficiência quando enfrenta os casos melindrosos, os casos desesperados.

    Um temperamento que se comove perante uma desgraça, um caráter que se revolta perante uma injustiça, manso com os humildes, sereno e reto, o dr. Dorinato de Oliveira Lima soube cercar-se dessa simpatia que é fervorosa como um raio de luz.

    Porque transfigura a sua ciência e a sua técnica em sacerdócio devocional, no culto puro da bondade e no culto austero da sua profissão. Um sábio e um justo.


    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA


    REFERÊNCIAS:
    Organização e Pesquisa: Charles Aquino
    Texto: Guaracy de Castro Nogueira (In memoriam)
    Texto: Souza. Miguel Augusto Gonçalves de. História de Itaúna,
    BH, Ed. Littera         Maciel Ltda., 1986, p. 258, 260.
    Acervo: Dr. Marco Antônio Lara
    Fotografia:  F. Ribeiro – Photographo
    Revista: Bello Horizonte, 1933, p. 15.
    Imagem Dr. Dorinato Lima: Restauração com IA à partir da original.