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domingo, 31 de maio de 2026

CASA DE CARIDADE

Eduardo Ferreira Amaral encontrou-se na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira no ano de 1954, localizada na cidade de Itaúna, devido a intenso desconforto abdominal. 

O Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho examinou-o prontamente e constatou que seu quadro era "APENDICITE SUPURADA", necessitando de intervenção cirúrgica imediata.

Nesse período, a cidade contou com um fornecimento limitado de energia elétrica fornecida pela Companhia Industrial Itaunense

A escassez de eletricidade, especialmente no período de seca, exigiu encerramentos noturnos periódicos. 

Diante disso, Dr. Coutinho despachou um mensageiro à empresa, solicitando que não cortassem a energia naquela tarde devido ao procedimento cirúrgico agendado.  A cirurgia começou no final da noite, por volta das 18h30.

Maria Xavier Ferreira, a devotada esposa de Eduardo, permanecia ansiosa no corredor do hospital, aguardando ansiosamente as novidades. De repente, uma queda de energia mergulhou toda a instalação na escuridão. 

Em meio à escuridão, um som fraco de uma porta se abrindo ressoou, chamando a atenção de Maria. Para seu espanto, o Dr. Coutinho saiu da sala de cirurgia segurando uma vela. Tomada de preocupação, Maria, com a voz cheia de tristeza e lágrimas nos olhos, perguntou se Eduardo havia falecido. Sem hesitar, o Dr. Coutinho a tranquilizou, afirmando que Eduardo ainda estava vivo.

 Ele então solicitou a Maria que o acompanhasse até a sala de cirurgia, entregando-lhe a vela e disse: acompanhe-me e preste-me sua ajuda dentro do bloco operatório. Por favor, segure esta vela, pois estamos prestes a iniciar a operação e nosso tempo é de extremo valor. O tempo era essencial e não havia espaço para atrasos. 

Dr. Coutinho realizou habilmente a cirurgia à luz bruxuleante da vela, resultando em um retumbante triunfo. Após ser operado aos 46 anos, o Sr. Eduardo Ferreira Amaral teve a sorte de desfrutar mais 47 anos de vida alegre e plena com seus entes queridos, até falecer pacificamente em 2001.

Fonte Oral:  Professor Marco Elísio Chaves Coutinho & Dª Vera Coutinho

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino

LINCOLN NOGUEIRA MACHADO

 

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA MG
Dr. Lincoln Nogueira Machado foi um dos mais ilustres médicos de sua época, destacando-se não apenas na Medicina, mas também como benemérito e figura de grande expressão humana. 

Pioneiro em causas relevantes, exerceu forte influência nos meios científicos e sociais de sua terra natal e região.

Homem público de elevado valor, sempre leal aos seus princípios, defendeu incansavelmente os interesses populares e deixou um legado significativo para seu município.

Inteligente e culto, possuía inclinação literária marcante, sendo um estilista refinado e profundo conhecedor da língua portuguesa. 

Sua erudição contribuiu imensamente para o desenvolvimento intelectual e médico de sua época. 

Além disso, era poeta de sensibilidade ímpar, compondo versos fluidos e bem estruturados, onde a retórica jamais comprometia a qualidade técnica.

Nascido em 15 de junho de 1893, em Sant'anna do Rio São João Acima, hoje Itaúna, Minas Gerais, era filho de Josias Nogueira Machado e Thereza Gonçalves Nogueira. Seus irmãos eram Augusta Nogueira Soares, Azarias Nogueira Machado, Rachel Nogueira, Ovídio Nogueira Machado, Olandim Nogueira Machado, Josias Nogueira Filho, Aristides Nogueira Machado, Alice Gonçalves Nogueira, Sady Nogueira Machado, Geny Nogueira Machado (Lima) e Mozart Nogueira Machado.

Seus estudos primários foram realizados em Itaúna, entre 1903 e 1906, sob a orientação do professor José de Melo. Em seguida, frequentou o Ginásio Santo Antônio, em São João del-Rei, onde concluiu o curso ginasial após cinco anos.

 Posteriormente, ingressou na Escola de Medicina de Belo Horizonte, formando-se em dezembro de 1917, embora tenha recebido seu diploma apenas em 1918, após a oficialização da instituição pelo governo. Integrante da primeira turma de médicos da escola, teve como diretor o renomado Dr. Eduardo Borges da Costa, que lhe dispensava grande amizade e consideração.

Na Medicina, desempenhou papel fundamental na saúde pública. Em 1927, tornou-se Chefe do Posto de Profilaxia de Itaúna e prestou inestimáveis serviços à Casa de Caridade Manoel Gonçalves (hoje Hospital Manoel Gonçalves), onde atuou desde a fundação, em 1919, até seu falecimento. 

Além de Itaúna, também exerceu a profissão em Conquista (atual Itaguara), Carmo do Cajurú e cidades vizinhas. Seu compromisso com o juramento médico e sua vocação humanitária foram traços marcantes de sua carreira.

Dr. Lincoln também teve forte atuação na educação. Durante muitos anos, lecionou língua portuguesa na Escola Normal Manoel Gonçalves, desde sua fundação até sua oficialização. 

Em 1947, publicou um livro de grande valor histórico e literário: "Médicos de 1917", em que celebrou os 30 anos de sua formatura, traçando perfis de seus colegas por meio de versos repletos de humor, filosofia e sensibilidade. Além disso, colaborava regularmente com artigos para o jornal local "Folha do Oeste".

Após a colação de grau, retornou a Itaúna, onde estabeleceu consultório e rapidamente conquistou o respeito e a admiração de seus conterrâneos. Além da atuação médica, teve uma notável trajetória na política local. Foi nomeado Prefeito Municipal de Itaúna (1936-1947) pelo governador Benedito Valadares, exercendo o cargo por 11 anos. 

Posteriormente, foi eleito pelo povo e permaneceu na administração municipal como filiado ao extinto PSD, sendo vereador e Presidente da Câmara Municipal de Itaúna (1951-1953).

Na vida pessoal, casou-se primeiramente com Anita Soares Nogueira, filha de Jove Soares e Augusta Nogueira Soares, união da qual não houve descendência. Após enviuvar, contraiu segundas núpcias com Laudelina de Carvalho Machado, filha de Oscar de Carvalho e Amélia Gonçalves de Carvalho, com quem teve quatro filhos:

Maria Teresa Machado Alves, professora aposentada, casada com Elídio Alves Fonseca, pais de Gislene e Cláudia.

Thaís Machado de Souza, normalista, casada com o advogado Dr. Hélio Gonçalves de Souza, pais de Lucas e Lincoln.

Otto Nogueira Machado, engenheiro civil e metalúrgico, casado com Eni Carvalho Machado, pais de Dênio e Cristine.

Izis Nogueira Lima, normalista, casada com o contabilista Olce Lima, pais de Greisson e Ricardo.

Ao completar 40 anos de casamento, dedicou à esposa um poema intitulado "Salve 18 de junho de 1966", como expressão de amor e gratidão.

Dr. Lincoln Nogueira Machado faleceu em 6 de abril de 1968, na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Seu nome foi eternizado em avenidas de Itaúna, Carmo do Cajurú e Itaguara, bem como no Grupo Escolar de Itaúna.

Embora algumas dessas homenagens tenham sido substituídas por novos nomes ao longo dos anos, sua memória permanece viva entre familiares, amigos e conterrâneos.

Sua trajetória exemplar, marcada pela dedicação à Medicina, à educação e à administração pública, consolidou um legado de inestimável valor. Como um bom semeador, deixou flores e frutos ao longo de sua caminhada, garantindo que seu nome jamais se apague da história de Itaúna e da Medicina mineira.


Referências:

Pesquisa, elaboração e arte: Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. História de Itaúna, BH, Ed. Littera Maciel Ltda, 1986, p. 267-268.

NOGUEIRA, Guaracy de Castro Nogueira. Biografia Dr. Lincoln Nogueira Machado.

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JOSIAS NOGUEIRA MACHADO

JOÃO DE CERQUEIRA LIMA

SEXTO PREFEITO ITAÚNA

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ESCOLA MANOEL GONÇALVES

 HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA 

FOOT-BALL E VOLLEY-BALL 1939

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

DOUTOR AUGUSTO GONÇALVES SOUZA MOREIRA

QUEM ERA DOUTOR  AUGUSTO EM 1902

 Nascido em 29 de julho de 1861, estava com 59 anos de idade; diplomado médico em 1887, estava na profissão há 33 anos; e, no comando do município, desde sua emancipação, há 19 anos. Em plena maturidade, lúcido, líder e chefe. Comando indiscutível. Era o poder pela autoridade de sua liderança, posição financeira e profissional.  Altamente prestigiado pelas autoridades constituídas do estado Chefe político, sem contestação. Ex- deputado constituinte, presidente da Companhia Industrial Itaunense, afinal detentor de uma gama enorme de poderes. Suas decisões eram acatadas, jamais discutidas. Poderíamos, afirmar, sem incorrer em julgamento falho, que ele estava acima do bem e do mal, não temia julgamento algum que pudesse afetar sua liderança.

Assim, médico e não advogado cometeu falhas na organização da Casa de Caridade, sem receio de qualquer censura de promotor ou juiz. O art. 27 da lei municipal cumpriu o testamento, no primeiro artigo, quando desistiu do encargo de fundar a instituição e autorizou a criação de uma irmandade. Perfeito. O decreto nº 52, do Presidente da Câmara, de 22 de setembro de 1920 promulgando o Estatuto, expedido pelo Conselho Deliberativo em 16 de setembro anterior, é uma aberração. Como o Conselho Deliberativo poderia aprovar o Estatuto em 16 de setembro se a Câmara não havia organizado nomeados seus 25 membros? Nem era atribuição do Conselho aprovar estatuto elaborado pela Câmara (órgão maior), sem a prévia aprovação do Promotor. E esta aprovação se deu por unanimidade com apenas 14 irmãos presentes.

O registro no Cartório de Rossini de Matos, parente, em 17 de novembro de 1920, quanto aos fins da instituição " fala na fundação da Casa de Caridade pra tratamento de indigentes e não indigentes, e outros estabelecimentos de caridade, inclusive um colégio para meninas. (posteriormente, incluíram também meninos). 

Não dá para entender! E mais, o "Registro Especial" no cartório do "termo", quando devia ser no cartório da Comarca do Pará, do "extrato dos estatutos aprovado pela maioria de seus irmãos" (na ata fala em aprovação unânime pelos 14 dos 25 irmãos) não aborda aspectos fundamentais dos Estatutos, assim por exemplo o único do art. 24 "só poderão fazer parte da Mesa Administrativa os irmãos que residirem na cidade de Itaúna" (Seria omissão proposital?). Incrível: o Tabelião afirma que estava cumprindo o disposto nos artigos 18 e 19 do Código Civil. Não fala em Fundação e sim Associação (art. 10º do Estatuto). 

Prova de que tinham conhecimento  do Código Civil e escolheram o caminho do "facilitário", fugindo da fiscalização do promotor. Aliás, lendo todas as atas vi a presença do promotor da comarca, pela primeira vez, na reunião de 24 de janeiro de 1937, quando da apresentação das contas do exercício de 1936, dr. João de Paula Silva Filho, convidado pelo provedor dr. Dario Gonçalves.

Na qualidade de historiador não nos interessa criticar as personagens envolvidas, mas apenas a análise dos documentos exibidos e consultados. Estamos um tanto decepcionados com as atitudes de homens ilustres de nosso passado histórico. Eles não foram fiéis ao mandato que receberam. Ficaremos muito felizes se provarem que estamos enganados. Vejamos. Não encontramos nos arquivos da Casa de Caridade nenhum documento redigido pelo instituidor que falasse de seus sucessores e dos fins da instituição, além de sua atividade natural, prevista, na área de saúde, o hospital.

 



Organização para o blog: Charles Aquino  

Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em Detalhes

Edição: Jornal Folha do Povo

Editor: Renilton Gonçalves Pacheco

Pesquisa e redação final: Guaracy de Castro Nogueira

Fonte de pesquisa: Fundação Maria de Castro / Itaúna em Dados

Textos: Sérgio Cunha

Diagramação: Márcio Heleno Santos / Daniel Machado Campos

Ano: 2003

Impressão: Gráfica São Lucas Ltda.

Fascículo nº: 38