Este capítulo aborda as principais etapas dessa jornada, documentadas pela imprensa local, que culminaram na retomada de seu valor histórico e na revitalização do prédio.
Desde os anos 1980, quando a possibilidade de demolição do “Hospital Velho” foi discutida publicamente, o imóvel enfrentou períodos de abandono e degradação.
Reportagens destacaram o prédio como um "fantasma" que assombrava Itaúna, com ruínas pichadas e riscos à segurança.
Apesar disso, os esforços de preservação nunca cessaram completamente. Em 2021, iniciativas começaram a tomar forma com a apresentação de um projeto de revitalização, que buscava equilibrar memória e funcionalidade.
Entre 2023 e 2024, uma série de articulações administrativas e políticas marcaram a retomada efetiva do projeto de revitalização. Após longas negociações, o Codempace (Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio).
Cultural Artístico e Ecológico de Itaúna) aprovou as obras, permitindo que o Ministério Público e outros parceiros direcionassem recursos para o início das reformas. A imprensa noticiou atrasos causados por entraves burocráticos, que retardaram o avanço das intervenções, mas também destacou o crescente apoio de empresários e representantes locais.
A partir de setembro de 2024, reuniões com empresários, engenheiros, agentes políticos e representantes do Hospital culminaram na aprovação final do projeto e na alocação de recursos para o início das obras. Com a fachada tombada e protegida pelo patrimônio histórico, as intervenções planejadas incluíram reforços estruturais, a reconstrução do telhado e a adaptação do interior para abrigar o setor administrativo.
Em dezembro de 2024, as obras finalmente, começaram trazendo esperança à comunidade e resgatando o simbolismo do edifício como uma obra coletiva de caridade e memória. Jornalistas locais destacaram o impacto histórico desse momento, que não apenas reconstrói um prédio, mas reafirma valores comunitários e o legado de Manoel Gonçalves.
A restauração do “Hospital Velho” representa mais do que a recuperação de um patrimônio arquitetônico; é a preservação de uma identidade cultural que une gerações. Apesar das décadas de desafios, o esforço conjunto da sociedade itaunense triunfou sobre as adversidades, transformando o que antes era ruína em um símbolo de resistência e renovação. A trajetória de recuperação deste prédio histórico nos convida a refletir sobre a importância de preservar nossa memória coletiva, mesmo em face das complexidades do progresso.
O título impactante "HOSPITALSERÁ “TOMBADO” A PICARETA"transmite a ideia de uma destruição iminente, em vez de um "tombamento" que garantiria sua preservação histórica.
A reportagem tem como pauta principal “o destino do prédio velho do Hospital, a seção examinou duas propostas: A demolição até o limite de segurança e a interdição até realização das obras, mas somente da fachada”.
Essa análise apresenta argumentos e posições dos participantes, que variam entre a demolição completa e a preservação parcial do prédio, destacando as complexidades técnicas e financeiras envolvidas.
Segundo Guerra, o prédio se encontra em condições estruturais insustentáveis, e os recursos financeiros disponíveis são insuficientes para um projeto de preservação. Ele sugere que a verba existente seja direcionada para a expansão do "Hospital Novo", enfatizando uma visão pragmática, onde a funcionalidade e segurança são prioridades sobre a preservação histórica.
Irdevan Nogueira Júnior - Arquiteto presente na reunião, que sugere uma solução intermediária: manter a fachada do prédio e reconstruir o restante. Ele defende a ideia de preservar ao menos uma parte do patrimônio, conciliando a preservação histórica com a necessidade de modernização e uso prático. Sua sugestão representa um ponto de equilíbrio, tentando atender tanto às demandas dos defensores do patrimônio quanto às limitações financeiras.
Doutor José Campos: Médico que também contribuiu com um ponto de vista prático, afirmando que o problema é "técnico, embora de ligações afetivas". Ele reconhece o valor afetivo do hospital, especialmente para o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), mas coloca a questão estrutural como prioridade. Sua posição sugere uma preocupação com a segurança, embora reconheça a importância simbólica do prédio.
Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA): Embora não tenha sido representado diretamente na reunião, o IEPHA é mencionado pelo Dr. Campos como uma entidade que vê o prédio como patrimônio de “muito valor”. Isso reflete o interesse do instituto em preservar a estrutura como parte da memória cultural de Itaúna, contrastando com a posição dos gestores locais que priorizam a viabilidade técnica e financeira.
Juarez Campos (Diretor do ITA VOX): Como diretor do jornal que publicou a matéria, sua presença pode indicar um interesse em documentar e divulgar o debate sobre o destino do hospital. A cobertura jornalística enfatiza a importância do hospital para a comunidade e pode refletir uma visão crítica à falta de políticas de preservação do patrimônio histórico da cidade.
Dr. Peri Tupinambás, médico, se posiciona firmemente contra a demolição do antigo hospital Manoel Gonçalves em Itaúna, fazendo uma crítica incisiva às decisões que, segundo ele, refletem uma falta de respeito pela história e memória da cidade. Ele considera a demolição como uma "profanização" da história de Itaúna, enfatizando a importância de manter o prédio como um símbolo da identidade e do passado coletivo dos itaunenses.
Principais Pontos da Crítica de Peri Tupinambás:
Desvalorização da História: Peri Tupinambás destaca que a decisão de demolir o hospital é uma violação ao patrimônio cultural de Itaúna. Para ele, o hospital não é apenas um edifício antigo, mas uma peça fundamental da história da cidade, construída com propósito e valor emocional. A ideia de "profanizar" a história ao demolir o prédio demonstra a sua visão de que esse ato representa um desrespeito aos valores e tradições locais.
Crítica ao Abandono e às Decisões do Passado: Peri afirma que o "erro começou quando resolveram tirar de lá o hospital" e transferi-lo para outro edifício, deixando o antigo hospital ao abandono. Segundo ele, a decisão de construir um novo prédio e deixar o anterior à própria sorte foi um sinal claro da falta de compromisso dos governantes com o patrimônio e a história. Essa crítica revela sua visão de que, se o antigo hospital tivesse sido mantido em funcionamento ou restaurado na época, a discussão sobre demolição não estaria ocorrendo.
Ausência de Cidadania e Participação Popular: Tupinambás destaca a falta de envolvimento da população nas decisões sobre o hospital, sugerindo que a demolição foi decidida de maneira arbitrária, sem ouvir a voz dos cidadãos. Ele acredita que o poder público deveria ter consultado a comunidade e promovido um debate mais amplo, ao invés de impor uma decisão sem levar em conta o desejo coletivo de preservação histórica.
Potencial de Restauração: Ao declarar que “ainda poderia se fazer de novo o que era, bastando que houvesse a vontade de executar”, Tupinambás deixa claro que ele acredita na viabilidade de restaurar o edifício. Ele indica que, com empenho e investimento adequado, o prédio poderia ser revitalizado, preservando sua importância histórica e cultural.
Críticas à Administração Local: Peri critica a atitude das autoridades municipais da época, acusando-as de "calhordas" e de falta de comprometimento com Itaúna. Ele vai além e critica a "classe dominante e intelectualidade" que, segundo ele, apoiavam a demolição, questionando seu compromisso com os interesses culturais e patrimoniais da cidade.
Menção a Outros Defensores do Tombamento: No final, Peri menciona o professor Marco Elísio e Dona Arthurina como vozes que também defendem o tombamento e preservação do hospital. Isso indica que ele não está sozinho em sua posição e que há outros cidadãos influentes que compartilham a mesma visão de proteção ao patrimônio histórico.
Crítica ao Conselho do Hospital: Tupinambás também se refere de forma crítica ao conselho do hospital, que teria mantido uma postura inflexível contra o tombamento, evidenciando que a batalha pela preservação do prédio envolvia conflitos não apenas de opinião, mas de status e poder na cidade.
No encerramento dos debates, os participantes concluíram que a recuperação do edifício já deveria ter ocorrido há cerca de 30 anos. Estiveram presentes na sessão: o médico Helênio Eustáquio, o vice-provedor Dalmo Coutinho, o membro do Conselho Consultivo Waldemar Gonçalves de Souza e os conselheiros Ary Carvalho, Petrônio Nogueira Guimarães, José Joarez Silva, Afonso Henrique Silva Lima, Roberto Soares Nogueira, Affonso Cerqueira Lima, Mério Alves de Souza, Délcio Drummond, Elisa Tarabal, João Afonso Guimarães, Sebastião Miamoto, Professor Marco Elias, Augusto Machado, Luiz Guimarães, Meroveu Camargos e Geraldo Augusto Silveira.
Ao que tudo indica, a decisão de não demolir o antigo Hospital Velho prevaleceu. Passados aproximadamente 37 anos desde a publicação da matéria, o edifício permanece de pé, embora não tenha recebido nenhuma intervenção de restauração até o presente momento. Sua permanência sugere um compromisso com a preservação do patrimônio, mesmo que ainda não tenha se concretizado em ações de revitalização.
Aparentemente, a comunidade e os administradores da época reconheceram a importância cultural do prédio, ainda que a restauração tenham sido indefinidamente adiados. A estrutura permanece até hoje como testemunho do patrimônio histórico de Itaúna e de seu fundador, Manoel Gonçalves de Souza Moreira, carregando consigo um valor simbólico de resistência e memória para as gerações presentes e futuras.
Manoel Gonçalves de Souza Moreira,
eternizado na memória coletiva itaunense como “Manoelzinho do Hospital”, ocupa
um dos lugares mais relevantes da história social, econômica e filantrópica de
Itaúna.
Sua trajetória ultrapassa a figura de um simples comerciante
bem-sucedido ou de um benemérito local.
Ele representa uma geração de homens
ligados à formação das elites econômicas do interior mineiro no final do século
XIX, mas que, ao mesmo tempo, procuraram associar fortuna, religiosidade,
progresso urbano e amparo coletivo em um projeto de desenvolvimento regional e
construção civilizatória.
Sua vida se entrelaça diretamente com
a transformação de Sant’Ana do Rio São João Acima na moderna Itaúna, tornando
praticamente impossível compreender a história da saúde, da educação e da
própria formação urbana da cidade sem analisar sua atuação.
O batismo, celebrado pelo vigário João Batista de Miranda, já evidenciava a inserção da família em um influente núcleo
político, econômico e religioso da região, revelando os vínculos dos Souza
Moreira com as tradicionais estruturas de prestígio e poder do sertão mineiro
oitocentista.
O fato de possuir como padrinhos o
Guarda-Mor Antônio de Souza Moreira e o vigário Antônio Maximiliano de Campos evidencia que os Souza Moreira estavam ligados às estruturas tradicionais de
prestígio do sertão mineiro oitocentista, em um contexto no qual religião,
poder local e relações familiares se confundiam profundamente.
O registro de batismo preservado até
os dias atuais tornou-se uma das mais antigas referências documentais da
linhagem familiar em Itaúna.
Seu pai foi considerado um dos
pioneiros da industrialização local e fundador da casa comercial “Moreira &
Filhos”, empreendimento que ajudou a transformar o antigo arraial em um dos
principais centros comerciais do Centro-Oeste mineiro.
Nesse ambiente, Manoel Gonçalves foi
educado dentro da lógica do trabalho, da disciplina comercial e da
administração patrimonial. Ainda jovem, ingressou na firma da família, onde
construiu reputação como comerciante habilidoso, passando de balconista a gerente
e, posteriormente, sócio do empreendimento.
A própria dinâmica econômica de Itaúna
naquele período ajuda a compreender sua ascensão. A cidade começava lentamente
a abandonar estruturas rurais mais tradicionais para ingressar em uma economia
baseada no comércio, nas manufaturas e nos investimentos industriais. Ele
próprio tornar-se-ia uma das figuras centrais dessa transição econômica e
urbana.
Sua atuação empresarial ganhou enorme
projeção com a fundação da Companhia de Tecidos Santanense, uma das
experiências industriais mais importantes da história itaunense. Na assembleia
de fundação realizada em 23 de outubro de 1891, Manoel Gonçalves subscreveu 400
ações, totalizando 80 contos de réis, valor extremamente elevado para os
padrões da época.
Apenas seu pai investiu mais do que
ele. Ambos depositaram recursos consideráveis no Banco do Império do Brasil
para viabilizar a criação da companhia, posteriormente considerada a pedra
fundamental do capitalismo industrial itaunense.
Esse dado é significativo porque
demonstra que o empresário não foi apenas um filantropo religioso ou um
benemérito assistencialista, mas também um agente econômico diretamente ligado
ao surgimento de uma mentalidade empresarial moderna em Itaúna.
Sua projeção
pública igualmente alcançou o campo político. Em 1889, participou da fundação
do Clube Republicano “21 de Abril”, tornando-se seu presidente. O contexto era
marcado pela crise final da monarquia brasileira e pela ascensão das ideias
republicanas.
Seu posicionamento antimonarquista
revela alinhamento com setores modernizadores que defendiam novas formas de
organização política e econômica. Pouco depois, participou da criação do jornal
“Centro de Minas”, o primeiro periódico a circular em Sant’Ana do Rio São João Acima.
A fundação de um jornal naquele
período representava muito mais que uma iniciativa informativa. Tratava-se de
instrumento de influência política, formação de opinião pública e consolidação
das elites intelectuais e econômicas locais.
Já consolidado financeiramente, Manoel
Gonçalves transferiu-se para Belo Horizonte após a inauguração da nova capital
mineira, em 1897. A mudança revela sua capacidade de perceber os novos centros
de desenvolvimento econômico e político de Minas Gerais.
Em Belo Horizonte
participou da fundação da Companhia Industrial Belo Horizonte e integrou sua
primeira diretoria ao lado de figuras importantes da elite econômica mineira.
Ainda assim, mesmo distante fisicamente, jamais rompeu os vínculos afetivos e
simbólicos com Itaúna.
Sua vida pessoal também ficou marcada
pelo casamento com sua prima Maria Gonçalves de Souza Moreira, conhecida
popularmente como Dona Cota. A união, realizada em 1894, tornou-se uma das mais
emblemáticas da história social itaunense. Dona Cota posteriormente daria
continuidade à obra assistencial do marido ao fundar o Orfanato São Vicente de
Paula, ampliando o legado filantrópico da família.
A trajetória do casal revela como
determinadas famílias tradicionais mineiras articulavam patrimônio,
religiosidade e caridade dentro de uma visão paternalista típica das elites
católicas do período.
Um dos episódios mais marcantes de sua
vida foi a viagem à Europa realizada ao lado de Dona Cota na década de 1910. A
experiência europeia parece ter provocado profunda reflexão em Manoel Gonçalves
sobre o destino de sua fortuna e sobre o papel social que desejava desempenhar.
Após retornar da Europa, já em idade
avançada e sem filhos, passou a refletir sobre a utilização de seus bens em
favor de Itaúna. Seu espírito cristão, associado a uma concepção de progresso
social influenciada pelos modelos filantrópicos europeus, conduziu-o à decisão
que eternizaria seu nome na história itaunense
⸺ a criação da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira.
A fundação da Casa de Caridade
representou um marco decisivo na história da saúde em Itaúna. Em uma época
marcada pela precariedade dos serviços médicos, pelas epidemias e pela ausência
de assistência pública estruturada, a criação de um hospital significava
literalmente salvar vidas e oferecer dignidade aos mais pobres.
Manoel Gonçalves destinou parcela
substancial de seu patrimônio à construção e manutenção da instituição, incluindo
um hospital, um asilo para idosos e um pavilhão para tuberculosos.
Seu testamento ainda previa
investimentos educacionais para jovens itaunenses, revelando uma concepção
ampla de intervenção assistencial baseada em saúde, educação e amparo aos
vulneráveis.
A importância da Casa de Caridade
rapidamente ultrapassou os limites municipais. O hospital tornou-se referência
regional, recebendo pacientes de diversas localidades. Relatos históricos
descrevem o imponente edifício erguido próximo à linha férrea, equipado para
práticas cirúrgicas modernas e reconhecido pela qualidade do atendimento
médico. A instituição converteu-se em símbolo concreto da filantropia itaunense
e da transformação da cidade em polo regional de assistência médica.
Entretanto, reduzir Manoel Gonçalves
apenas ao título de fundador do hospital significaria limitar profundamente sua
importância histórica. Seu legado também se estendeu à educação. O excedente
financeiro da Casa de Caridade possibilitou posteriormente a criação da Escola
Manoel Gonçalves de Souza Moreira, da Escola Normal e do Colégio Santana.
Assim, parte considerável da estrutura
educacional tradicional de Itaúna nasceu diretamente dos recursos deixados por
ele e administrados pela Casa de Caridade. A cidade moderna, em grande medida,
foi edificada sobre esse patrimônio filantrópico.
Ao longo dos anos posteriores à sua morte, a influência simbólica de Manoel Gonçalves de Souza Moreira permaneceu profundamente enraizada na memória urbana itaunense.
Seu nome ultrapassou a condição de
simples benemérito local para tornar-se referência moral e institucional
associada à caridade, ao progresso e à assistência social.
Em determinados círculos memorialistas
e culturais, essa permanência histórica passou a ser associada ao chamado “Gonçalvismo”,
entendido como a continuidade da influência social, patrimonial e simbólica da
família Gonçalves sobre diferentes dimensões da formação histórica de Itaúna.
Mais do que um conceito político
formal, o chamado “Gonçalvismo” tornou-se uma representação memorial ligada à
permanência da atuação da família Gonçalves na vida itaunense, mais associada à
construção memorial e simbólica posterior do que a uma organização política
formal.
Hospitais, escolas, instituições
beneficentes, patrimônios urbanos e discursos religiosos ajudaram a consolidar
sua imagem como símbolo de caridade cristã, progresso urbano e filantropia
católica. Sua memória passou a ocupar lugar central na construção simbólica da
própria identidade histórica de Itaúna, consolidando-o como referência moral da
cidade ao longo do século XX.
Manoel Gonçalves faleceu em Belo
Horizonte em junho de 1920, aos 68 anos de idade. Conforme seu desejo, foi
sepultado em Itaúna, junto à instituição que carregaria eternamente seu nome.
Sua morte provocou forte comoção regional, não apenas pela perda de um homem
rico e influente, mas pela partida de alguém que havia convertido patrimônio
privado em instrumento coletivo de assistência e desenvolvimento social.
A construção da imagem pública de
“Manoelzinho do Hospital” também merece reflexão histórica. Sua memória foi
transformada em símbolo moral da caridade cristã itaunense. Essa imagem,
contudo, não surgiu espontaneamente. Ela foi construída ao longo do tempo por
discursos religiosos, memorialistas, jornais locais e instituições que buscaram
apresentar Manoel Gonçalves como modelo ideal de benfeitor, homem virtuoso e
cidadão exemplar.
Sua trajetória acabou associada à
ideia de paternalismo social típica das elites mineiras do início do século XX,
contexto em que grandes proprietários e empresários assumiam funções
assistenciais diante da ausência do Estado. Ainda assim, independentemente das
interpretações possíveis, permanece incontestável que sua atuação alterou
profundamente a estrutura social de Itaúna.
Mais de um século após sua morte, o
nome de Manoel Gonçalves de Souza Moreira continua vivo na memória urbana, nas
instituições de saúde e educação, nos registros históricos e no imaginário
coletivo itaunense.
Sua trajetória revela não apenas a
história de um indivíduo, mas também o processo de formação urbana de Itaúna, a
consolidação de elites econômicas locais, a expansão das práticas filantrópicas
católicas e a construção de uma identidade baseada na solidariedade e no
serviço ao próximo.
Manoelzinho do Hospital transformou
riqueza em legado histórico. Seu nome deixou de pertencer apenas à família
Souza Moreira para tornar-se parte permanente da própria história de Itaúna.
As imagens apresentadas nesta
publicação não correspondem, em sua totalidade, a registros fotográficos
originais da época. Parte do material consiste em reconstruções visuais
interpretativas produzidas com auxílio de inteligência artificial (IA), desenvolvidas
a partir de pesquisas históricas, documentos, fotografias antigas, descrições
memorialistas, referências arquitetônicas e fontes iconográficas relacionadas à
trajetória de Manoel Gonçalves de Souza Moreira, à Casa de Caridade e ao
contexto histórico de Itaúna.
Algumas imagens, como a representação
do hospital, foram inspiradas em registro, fotografias e documentações
históricas originais existentes. As composições possuem finalidade
exclusivamente cultural, educativa e ilustrativa, buscando contribuir para a preservação,
valorização e difusão da memória histórica itaunense.