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domingo, 31 de maio de 2026

BATISMO MANOEL

 MANOEL GONÇALVES DE SOUZA MOREIRA


O Nascimento e o Batismo de Manoel Gonçalves de Souza Moreira (1851)

O registro de batismo de Manoel Gonçalves de Souza Moreira, datado de 29 de dezembro de 1851, é uma das mais antigas referências documentais à linhagem da família Gonçalves de Souza Moreira em Sant’Ana do Rio São João Acima, atual Itaúna (MG).

O documento, localizado no Livro de Batismo da Paróquia de Sant’Anna de São João Acima, revela não apenas o ato religioso em si, mas também a rede de relações familiares e sociais que caracterizava as famílias de prestígio da região no século XIX.

Segundo o registro, o vigário João Batista de Miranda batizou solenemente o menino Manoel, filho legítimo de Manoel José de Souza Moreira e D. Anna Joaquina de Jesus. Foram padrinhos o Guarda-Mor Antônio de Souza Moreira e o vigário Antônio Maximiliano de Campos, nomes que indicam a inserção da família em um círculo de influência que unia religião, autoridade e tradição local.

O título de Guarda-Mor — cargo de confiança ligado à administração e à segurança do termo — e a presença de um pároco entre os padrinhos sugerem a relevância social da família Moreira na vida civil e eclesiástica de Pitangui e seus arredores. Esse batismo, portanto, não foi apenas um rito religioso, mas um ato simbólico que reforçava laços de parentesco, fé e poder.

O registro, conservado até hoje, representa um testemunho precioso da história local. Ele marca o início da trajetória de um homem que, décadas mais tarde, se tornaria figura central na história de Itaúna — fundador e benemérito da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, instituição que simboliza até hoje os valores de solidariedade e serviço ao próximo.

Assim, o nascimento de Manoel, em 1851, transcende o fato biográfico: insere-se em uma narrativa maior de fé, tradição e compromisso com a comunidade, pilares que ajudaram a moldar o caráter histórico e social de Itaúna. 

"Brasil, Minas Gerais, Registros da Igreja Católica, 1706-1999," database with images, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-D42Q-GBF?cc=2177275&wc=M5F1-T38%3A370040701%2C369941902%2C370040702: 22 May 2014), Itauna > Santana > Batismos 1841, Ago-1858, Set > image 1 of 301; Paróquias Católicas (Catholic Church parishes), Minas Gerais.

FUNDADOR DO HOSPITAL MANOEL GONÇALVES - ITAÚNA/MG


LEGADO DONA COTA

 

Maria Gonçalves de Souza Moreira, conhecida como Dona Cota, deixou um legado impressionante de filantropia em Itaúna, Minas Gerais. Nascida em 23 de novembro de 1875, Dona Cota casou-se com seu primo Manoel Gonçalves de Souza Moreira, conhecido como Manoelzinho do Hospital. 

Apesar de não terem filhos, o casal compartilhou um profundo compromisso em ajudar os menos favorecidos, inspirado por suas viagens e pela disparidade social que observaram entre o Brasil e outros países.

Após a morte de seu esposo em 1920, Dona Cota continuou dedicando-se a obras de caridade. Em 1949, ela fundou o Orfanato São Vicente de Paulo, com o objetivo de proteger a moral e materialmente os menores desamparados de Itaúna.

Sua decisão de deixar toda a sua fortuna para o Orfanato foi um ato de generosidade e compaixão que marcou a história da cidade.

Segundo registra o Pároco Padre José Ferreira Neto, no Livro do Tombo da Paróquia Santana de Itaúna, no dia 19 de março do ano de 1949, em uma dupla comemoração da festa do “Glorioso São José”, foi inaugurado o grande amparo das meninas órfãs. 

Na ocasião, o vigário José Neto celebrou a Santa Missa e participou da sessão solene em homenagem à grande benfeitora Dona Cota, sendo nomeada a primeira diretoria da instituição, com Dr. Lincoln Nogueira Machado como provedor, Astolfo Dornas como tesoureiro e um secretário. O Orfanato ficou aos cuidados das “Irmãs Clarissas Franciscanas”, com o Reverendo Padre Oscar Bitiner... como capelão provisionado.

Segundo noticiou o jornal Folha do Oeste em 20 de março do mesmo ano, Dona Cota, “aos 79 anos de idade, sem ascendentes ou descendentes, deixa sua fortuna (seis milhões de cruzeiros) à Fundação São Vicente de Paulo da qual é instituidora juntamente com Dona Tereza Gonçalves de Souza”. 

Dona Tereza Gonçalves também deixou todo o seu dinheiro para o Orfanato, uma ação muitas vezes pouco comentada ou registrada, apesar de seu valor igual ou maior ao deixado por Dona Cota.

É fundamental relembrar e registrar as contribuições de figuras importantes ao longo das décadas que ajudaram na manutenção e administração da instituição.

Hidelbrando Canabrava Rodrigues, prefeito de Itaúna, desempenhou um papel crucial no suporte ao Orfanato São Vicente de Paulo, onde atuou como presidente. Além disso, envolveu-se ativamente em diversas modalidades esportivas e filantrópicas na cidade. 

Sua liderança e engajamento social garantiram uma administração eficiente e integrada à comunidade. Sua participação no Lions Club e em outros clubes esportivos ampliou a rede de apoio ao orfanato, assegurando recursos e visibilidade.

Padre José Ferreira Neto foi uma figura espiritual e comunitária vital para o orfanato. Vigário de Itaúna por quase 42 anos, ele exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paulo. 

Sua dedicação em construir uma nova Casa Paroquial e sua habilidade em mobilizar a comunidade para projetos importantes garantiram a sustentabilidade do orfanato. Sua influência espiritual manteve os valores cristãos da instituição, assegurando que sua missão de caridade fosse preservada.

Guaracy de Castro Nogueira trouxe uma abordagem administrativa profissional ao orfanato. Membro do Conselho de Administração do orfanato e de outras instituições filantrópicas, sua experiência no Rotary e na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira foi inestimável para a gestão eficiente da instituição.

Sua participação em associações culturais e esportivas ajudou a canalizar recursos e apoio para o orfanato, fortalecendo sua base financeira e administrativa.

Cosme Silva, vereador e radialista, usou suas plataformas de comunicação para dar visibilidade ao orfanato e suas necessidades. Diretor do Orfanato São Vicente de Paulo, ele engajou a comunidade e atraiu apoio através de suas habilidades de comunicação. 

Sua liderança comunitária e participação em diversos conselhos consultivos foram fundamentais para fortalecer a relação entre o orfanato e a comunidade itaunense, garantindo um fluxo constante de recursos e suporte.

Argemiro Ferreira da Silva foi responsável pela construção física do Orfanato São Vicente de Paulo e de várias outras importantes infraestruturas em Itaúna. Sua habilidade como construtor garantiu uma base física robusta e duradoura para o orfanato. 

Além do orfanato, ele construiu o reservatório d’água do Alto do Cascalho, casas populares e o Clube União, demonstrando seu compromisso com o desenvolvimento urbano e social de Itaúna. Em especial, o monumento erguido em homenagem ao Doutor Augusto Gonçalves de Souza Moreira, situado na Praça da Matriz de Itaúna, conhecido como “escorregador”.

Relembrar e celebrar essas contribuições é essencial para honrar a memória daqueles que dedicaram suas vidas ao bem-estar da comunidade e ao fortalecimento da instituição. O legado de Dona Cota, perpetuado pelas contribuições de figuras importantes como Hidelbrando Canabrava Rodrigues, Padre José Ferreira Neto, Guaracy de Castro Nogueira, Cosme Silva e Argemiro Ferreira da Silva, é um exemplo brilhante de filantropia e comprometimento comunitário. 

Cada um desses indivíduos trouxe suas habilidades únicas e dedicação, assegurando que o Orfanato São Vicente de Paulo não só sobrevivesse, mas prosperasse.

Os esforços filantrópicos de Dona Cota não só trouxeram uma profunda transformação na vida de inúmeras pessoas residentes em Itaúna, mas também serviram como catalisadores para a formação de uma rede de apoio comunitário que envolveu diversas figuras influentes. 

Por meio de suas contribuições individuais, essas personalidades desempenharam um papel vital na solidificação do legado duradouro de Dona Cota, garantindo que sua influência continuaria a ressoar muito depois de seu falecimento, em 27 de novembro de 1954, em Itaúna.

O Orfanato São Vicente de Paulo ou Fundação São Vicente de Paulo e Casa Lar, continuam a ser pilares de apoio social na comunidade, demonstrando que a riqueza e os recursos, quando bem administrados e destinados ao bem comum, podem criar um legado de transformação e esperança. 

A união de esforços dessas figuras exemplares mostra como a liderança comunitária e a filantropia podem caminhar juntas, promovendo o desenvolvimento social e o bem-estar coletivo. Este legado não só enriquece a história de Itaúna, mas também serve como um exemplo inspirador de como a generosidade e o compromisso com o próximo podem deixar uma marca indelével na sociedade. 

Essa herança continua a inspirar e beneficiar a comunidade itaunense até os dias de hoje, mostrando que a união de esforços individuais pode gerar um impacto duradouro e significativo.

  História narrada em áudio! Imperdível!


Referências:

Organização, arte, pesquisa e roteiro: Historiador Charles Aquino

Itaúna Décadas. Maria Gonçalves de Souza. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/02/dona-cota.html

Itaúna Décadas. Casa de Caridade Itaúna. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/casa-de-caridade.html

Itaúna Décadas. Hidelbrando Canabrava Rodrigues. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2017/11/hidelbrando-canabrava-rodrigues.html

Itaúna Décadas. Padre José Neto. Itaúna Décadas. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2014/05/padre-jose-netto.html

Itaúna Décadas. Guaracy de Castro Nogueira. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2014/02/guaracy.html

Itaúna Décadas. Cosme Silva. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/12/cosme-silva.html

Itaúna Décadas. Monumento da Matriz. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2019/01/argemiro-ferreira-da-silva.html

Itaúna Décadas. Manoelzinho e Dona Cota. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/batismo-manoel.html

Casa de Caridade Manoel de Souza Moreira. Dona Cota. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/maria-goncalves-de-souza-moreira-dona.html

Casa de Caridade Manoel de Souza Moreira. Itaunense Benemérito. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/manoelzinho-e-dona-cota.html

Acervo:

Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira

Charles Aquino

Adilson Nogueira

Prof. Sérgio Machado

Itaúna Décadas

Professor Marco Elísio (In Memoriam)

Itaúna Bons Tempos - Saudades anos 70, 80 e 90 – Comunidade do Facebook

Fundação São Vicente de Paulo e Casa Lar - Itaúna/MG. 

TESTAMENTO MANOEL

MANOEL GONÇALVES DE SOUZA MOREIRA

O testamento de Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, redigido em 1920, oferece um vislumbre significativo da vida e dos valores de um empresário que não apenas acumulou riqueza, mas também sentiu uma profunda responsabilidade de retribuir à comunidade que o acolheu.

Este documento não é apenas uma declaração de última vontade, mas um testemunho do compromisso com a caridade, amor pela cidade de Itaúna e sobre os valores e as preocupações de uma figura proeminente da sociedade mineira no início do século XX.

A análise deste testamento permite compreender aspectos importantes de sua vida, suas relações familiares e sociais, bem como a sua visão de filantropia e de preservação de sua memória.

O testamento de Manoel Gonçalves é um documento rico que oferece reflexão sobre seus atos em vida, valores e visão de mundo. Através de suas disposições, é possível perceber um homem preocupado com o bem-estar de sua família, comprometido com a caridade e a ajuda aos necessitados, e atento à preservação de sua memória e legado. 

A análise crítica deste testamento revela um planejamento cuidadoso e uma visão de longo prazo, refletindo uma vida marcada pela responsabilidade, generosidade e devoção.

“Em nome de Deus, Amém. É este o meu testamento e disposição de minha última vontade. Declaro que sou natural da cidade de Itaúna, Estado de Minas Gerais, comarca da cidade do Pará; que sou filho legítimo de Manoel José de Sousa Moreira e dona Joaquina de Jesus, já falecidos; que sou casado com Maria Gonçalves de Sousa Moreira, não havendo filhos de nosso casal; que os nossos bens se ligam; que por este revogo "in totum" (no todo) o meu testamento anterior a este, aprovado pelo Tabelião Doutor Plínio de Mendonça; e que nada devo a pessoa alguma”.

Manoel Gonçalves de Sousa Moreira inicia o testamento declarando sua origem e estado civil, apontando para a ausência de descendentes diretos. Esta ausência faz com que parte de sua herança seja direcionada à sua esposa, Maria Gonçalves de Sousa Moreira, mais conhecida por Dona Cota, evidenciando a confiança e o desejo de garantir seu conforto e estabilidade após sua morte. 

A ênfase no usufruto vitalício da residência e de apólices federais sublinha a preocupação em prover uma fonte de renda contínua e segura para Maria, além de uma moradia digna e confortável.

A escolha de distribuir bens significativos para sobrinhos e outros parentes próximos indica uma preocupação com o bem-estar da família extensa, bem como uma tentativa de assegurar que a riqueza familiar permaneça dentro do círculo familiar. 

A estipulação de que as ações da Companhia Tecidos Santanense não podem ser alienadas até os beneficiários atingirem 30 anos de idade revela uma intenção clara de proteger esses ativos e garantir que os legatários amadureçam antes de terem controle total sobre eles. Este aspecto do testamento demonstra um senso de responsabilidade e uma tentativa de proteger os jovens herdeiros de decisões financeiras imprudentes.

 Disposições Religiosas e Memoriais

As instruções detalhadas sobre a celebração de missas por sua alma, bem como pela alma de seus parentes próximos, mostram a importância da religião e da tradição católica em sua vida. A ênfase nas missas anuais demonstra um desejo de perpetuar a memória e a devoção familiar, reforçando os laços espirituais e comunitários.

“Declaro que o meu testamenteiro ou testamenteira, mandará celebrar cinquenta missas por minha alma, além da do sétimo, trigésimo e quinquagésimo dia do meu falecimento, dez por alma de meus parentes, dez por alma de minha mulher, dez por alma de meus pais; que a administração da Casa de Caridade mandará celebrar anualmente, enquanto ela existir, oito missas, sendo duas por minha alma, duas por alma de minha mulher, duas por alma de meu pai e duas por alma de minha mãe”.

A construção de um mausoléu de mármore e a preocupação com a sua conservação destacam um desejo claro de garantir que sua memória seja preservada de forma digna e respeitosa — “Deixo oito contos de réis para se erigir um mausoléu de mármore em meu jazigo perpétuo, ficando a sua conservação, zelo e limpeza a cargo da administração da "Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira", que o conservará sempre limpo e bem cuidado”. Esta disposição é um reflexo do status social e da importância atribuída à aparência e à manutenção de um legado visível e respeitado.

 Testamenteiros e Cumprimento das Disposições

A nomeação de múltiplos testamenteiros, incluindo sua esposa, afilhado e irmãos, com uma clara ordem de sucessão, demonstra uma abordagem meticulosa e organizada. 

A promessa de recompensa na forma de ações da Companhia Tecidos Santanense para o testamenteiro que cumprir todas as disposições no prazo estipulado revela um entendimento do valor do trabalho e do esforço necessários para administrar um testamento complexo como este. A escolha de testamenteiros próximos e confiáveis indica a confiança de Manoel em sua capacidade de executar suas últimas vontades de forma eficiente e fiel.

 Filantropia e Legado Duradouro

 Uma das partes mais significativas do testamento é a criação da Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Sousa Moreira". A instituição desta casa reflete não apenas a generosidade e a preocupação de Manoel com os desfavorecidos, mas também a sua intenção de deixar um legado duradouro para a comunidade de Itaúna. A construção da casa em terreno comprado por ele e a garantia de fundos para sua manutenção através de apólices e ações mostram um planejamento cuidadoso e uma visão de longo prazo.

Manoel também especifica que a administração da Casa de Caridade pode ser realizada pela Câmara Municipal de Itaúna ou, na ausência desta, pela diretoria da Companhia Tecidos Santanense. Esta escolha revela um entendimento pragmático das estruturas de poder e uma tentativa de garantir que a instituição seja bem administrada, independentemente das circunstâncias.

O aspecto mais notável do testamento de Manoel é a sua decisão de deixar a maior parte de sua fortuna para a construção da Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Sousa Moreira" — 

“Instituo a Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, herdeira do remanescente de todos os meus bens, valores e haveres, deduzida a importância de todos os legados, de todas as minhas disposições e despesas de funeral que será de primeira classe”.

Este ato de generosidade não apenas reflete sua preocupação com os necessitados, mas também sua intenção de criar um legado duradouro que perpetuasse seu nome e suas ações benevolentes na comunidade de Itaúna.

A criação da Casa de Caridade é um marco significativo. Manoel não apenas destinou fundos substanciais para sua construção, mas também garantiu a manutenção da instituição através de apólices federais e estaduais, além de ações da Companhia Industrial Belo Horizonte e da Companhia Tecidos Santanense. Ele cuidadosamente planejou para que a casa de caridade fosse sustentada pelos juros e dividendos desses investimentos, assegurando sua viabilidade financeira a longo prazo.

 Compromisso com a Comunidade

Manoel demonstrou um profundo amor pela cidade de Itaúna e um compromisso inabalável em melhorar a vida de seus habitantes. Ao especificar que a administração da Casa de Caridade fosse conduzida pela Câmara Municipal de Itaúna, ou na falta desta, pela diretoria da Companhia Tecidos Santanense, ele mostrou uma compreensão clara das dinâmicas locais e garantiu que a instituição seria bem gerida. Esta escolha de administração também evidencia sua confiança nas instituições locais e sua crença na capacidade delas de perpetuar sua visão filantrópica.

O testamento de Manoel Gonçalves de Sousa Moreira revela um empresário que, além de acumular riqueza, dedicou-se a usar seus recursos para o bem-estar de sua comunidade. Seu ato de deixar a maior parte de sua fortuna para a construção da Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Sousa Moreira" não é apenas um exemplo de filantropia, mas um símbolo de seu amor e compromisso com Itaúna. 

Através deste gesto, Manoel não apenas garantiu que sua memória fosse perpetuada, mas também que sua cidade natal continuasse a prosperar e a cuidar dos seus necessitados. Este testamento é um tributo duradouro à generosidade e à visão de um homem cuja influência positiva será sentida por muitas gerações.

História narrada em áudio! Imperdível!

TESTAMENTO 1º PARTE

TESTAMENTO 2ª PARTE


Arte, pesquisa e roteiro: Historiador Charles Aquino .

Fonte: Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em Detalhes.

Fascículo número 37, Ano 2003.

Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro e Itaúna Décadas  

MANOELZINHO & COTINHA

 

HISTÓRIA HOSPITAL DE ITAÚNA MG
Conheça o Legado que Transformou Itaúna!

Você já ouviu falar de Manoel Gonçalves de Souza Moreira e Dona Cota?
Eles não foram apenas nomes da história — foram símbolos de amor ao próximo, fé e generosidade que marcaram gerações em Itaúna.

Fundadores da Casa de Caridade Manoel Gonçalves e do Orfanato São Vicente de Paulo, seu legado vive até hoje, inspirando novas ações e tocando vidas.

Assista ao vídeo especial que preparamos e emocione-se com essa linda trajetória de solidariedade, coragem e visão!





Elaboração: Charles Aquino

GONÇALVES PELA EUROPA

 HOSPITAL MANOEL GONÇALVES ITAÚNA MG

   Na década de 1911, o capitalista Manoel Gonçalves de Souza Moreira, “impulsionado por sua inata necessidade de evoluir e aprender, realizou longa viagem de instrução e recreio à Europa, fato não muito comum, para aqueles tempos” (Souza,2002). 

  Acompanhou-o nesta aventura sua esposa, Maria Gonçalves de Souza Moreira — Dona Cota. O casal itaunense embarcou a bordo do S.S. Konig Wilhelm II, navio a vapor de propriedade da renomada empresa de transporte transatlântico Hamburg America Line (HAPAG), com sede em Hamburgo, na Alemanha. 

   A HAPAG rapidamente se estabeleceu como líder no mercado global, atendendo à população imigrante alemã com destino à América do Norte e Europa Oriental. 

  O navio a vapor em si ostentava um tamanho impressionante de aproximadamente 9.500 toneladas e uma potência formidável de 7.200 cavalos. Com um alcance médio de 1.572 milhas e uma velocidade de cruzeiro de 15½ nós, a embarcação foi uma prova de sua eficiência e sustentabilidade. 

   Após o regresso da Europa, Manoel Gonçalves de Souza Moreira, já com idade avançada, refletiu profundamente sobre o que deveria acontecer com a significativa riqueza que acumulara. Sem filhos e com profundo carinho pela cidade natal de Itaúna, tomou uma decisão profunda movida pelo seu espírito cristão e fraterno.

  Esta decisão moldaria o rumo da sua vida: estabelecer uma “Casa de Caridade” na sua cidade natal e doar generosamente uma parte substancial da sua considerável fortuna para a criação de uma instituição.  

  Esta instituição se dedicaria à construção e manutenção de um hospital, de um lar para idosos e de um pavilhão projetado especificamente para pacientes com tuberculose. Além disso, conforme previsto em seu testamento, parte dos recursos seria investida na educação dos jovens de Itaúna (NOGUEIRA, 2014). 

   Por essas ações conquistou o maior respeito, admiração e eterna gratidão de todos os itaunenses, tornando-se nosso maior patrono. Em 20 de julho de 1920, aos 68 anos, faleceu em Belo Horizonte e foi sepultado em Itaúna, conforme sua vontade, ao lado da "Casa de Caridade", que orgulhosamente leva seu nome como testemunho de sua benevolência. 

  Dona Cota, que também era sua prima com quem se casou, foi uma pessoa única em Itaúna e sem dúvida a mais generosa filantropa do século XX em nossa cidade, por sua natureza profundamente compassiva (NOGUEIRA, 2014).
HOSPITAL MANOEL GONÇALVES ITAÚNA MG

ROTA DO CRUZEIRO MARÍTIMO

HOSPITAL MANOEL GONÇALVES ITAÚNA MG
S.S. Konig Wilhelm II 1907

INFORMAÇÕES DE VIAGEM AOS PASSAGEIROS

Refeições: É servido: 7 as 10 h café da manhã do relógio em primeiro lugar, e 12 as 13 hs almoço do meio-dia, às 7 horas do jantar da noite. Para cada refeição são impressos menus especiais. Espaços de mesa são instruídos pelo Comissário Chefe. 15 minutos antes do início da refeição, um sinal é dado; um segundo sinal indica o início das refeições. As crianças comem no berçário.

Música: Os concertos da banda no navio encontram-se no convés – manhã de 10 as 11 hs e no salão da primeira cabine durante o jantar.

Cabanas: Luz elétrica em cada conexão de cabines. Recomenda-se que os passageiros mantenham suas cabines fechadas durante sua permanência no porto.

Espaço para bagagem: Nas cabines apenas pequenas peças de bagagem podem ser acomodadas, a bagagem pesada deve ser arrumada no espaço, que está disponível diariamente.

Banhos: Os banheiros estão localizados a bordo, onde os passageiros podem obter banhos quentes a qualquer momento gratuitamente. Por favor, entre em contato com o comissário de bordo para fazer arranjos. A água usada é água do mar.

 Ginásio: O ginásio no convés do barco Primeiro para passageiros de primeira classe é destinado a homens das 8 as 10 h apenas, e novamente das 3 as 4 h. Mulheres das 10 h e das 4 as 5 h.

Ginástica: lugar sob a supervisão de um atendente de ginásio. O acesso de crianças não é permitido.

Sala de fumar: A sala de fumo está aberta de manhã cedo até meia-noite. É proibido fumar nas cabines, salões e sob o convés.

Salões: Estão abertos e serão fechados às 11 horas.

Médico e Farmácia: O steamer possui um médico nacionalmente certificado a bordo. Viajantes que ficam doentes durante a viagem são tratados gratuitamente e não cobram nada pelos medicamentos administrados.

 No entanto, o médico do navio está autorizado a exigir a taxa usual de viajantes para os passageiros que procuram tratamento de uma condição que não ocorreu durante a viagem.

Um intérprete está a bordo: Está disponível para interpretar todos os desejos ao pessoal operacional.

Barbeiro: O barbeiro pode cobrar por seus serviços. A remuneração é lançada na lista de preços da empresa.

Biblioteca: A biblioteca do navio consiste em obras em alemão, espanhol, inglês e francês e pode ser lida gratuitamente pelos passageiros durante a viagem. A biblioteca é gerenciada pelo administrador da biblioteca.

Cartas e telegramas: Para aceitar cartas e telegramas, que estão programados para entrega na próxima porta, o Primeiro Purser requer apenas o cálculo. Papel de carta e envelopes são administrados aos passageiros pelo mordomo do salão gratuitamente.

Cofre: O dinheiro e os objetos de valor podem ser entregues ao comissário de guarda no cofre localizado no quadro, mas sem responsabilidade adicional da Empresa.
 Câmbio monetário: O dinheiro estrangeiro pode ser trocado por viajantes pelo comissário de bordo do navio.

Jogos de entretenimento: como hoopla, shuPeboard, dominó, sapato, dama e etc., estão a bordo e disponíveis para os passageiros a qualquer momento.

Operação: Os comissários têm instruções para acomodar os desejos de nossos viajantes da maneira mais polida sempre que possível. Pede-se aos passageiros que denunciem qualquer reclamação sobre operação negligente ou comportamento rude do mordomo para o mordomo chefe.

Sistema de telegrafia sem fio: Está disponível para nossos passageiros. Nossos funcionários do telégrafo podem fornecer informações imediatas.

Lavanderia: Na lavanderia a bordo para homens, mulheres e crianças, o preços são da tarifa padrão. Para mais informações, veja a câmara Steward.

Oficiais/funcionários/Passageiros

O DESTINO DO NAVIO A VAPOR KONIG WILHELM II
  Em 23 de março de 1907, a renomada empresa alemã Stettiner Maschinenbau AG Vulcan construiu o navio Konig Wilhelm II. Posteriormente, a estimada companhia de navegação transatlântica Hamburg America Line (HAPAG) adquiriu a propriedade do navio.

   Quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914, o navio encerrou as operações em Nova York. Três anos depois, em 1917, o navio foi apreendido pelo governo dos EUA e recebeu um novo nome, USS Madawaska.

 Durante a Primeira Guerra Mundial, o navio embarcou em 10 viagens transatlânticas, transportando cerca de 12.000 homens para a Europa. Após o armistício de 1918, o navio embarcou em mais sete viagens, retornando com segurança 17.000 homens de volta para casa.

    O navio foi transferido para o Departamento de Guerra do Exército dos EUA em 1919 e depois passou por outra reconstrução em 1922. Foi durante esta reconstrução que o navio recebeu o novo nome US Grant (AP-29) e foi designado como Tropa Real. 

  O navio desempenhou um papel crucial na Segunda Guerra Mundial, servindo como meio de transporte para soldados. O Grant continuou a ser utilizado por quase vinte anos, principalmente para fins de transporte de soldados por mar.

  Quase perdendo-a em 1939, o americano US Grant escapou por pouco do desastre quando ficou preso no traiçoeiro Inner Reef em Guam. No entanto, depois de dois dias, o navio foi reflutuado com sucesso. A Marinha dos EUA assumiu o controle do Grant em 1941. 

  No ano seguinte, em 1942, ela desempenhou um papel na Operação Aleutian, transportando tropas para Kodiak e Cold Bay. Foi durante uma dessas viagens, especificamente durante a rota de Seattle para o porto holandês, que o navio encontrou um ataque de um submarino japonês em 20 de julho de 1942.

  Felizmente, o Grant evitou habilmente os torpedos e permaneceu ileso. Servindo no Alasca até 1944, continuou a cumprir suas funções.
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US Grant (AP-29) 1938

    Após seu descomissionamento em 1945, o navio foi devolvido ao Exército dos EUA e estacionado em Seattle até 1946. Posteriormente, em 1948, o navio foi vendido à Boston Metals Co. Por seu serviço durante a Segunda Guerra Mundial, o US Grant, anteriormente conhecido como navio a vapor Konig Wilhelm II, foi premiado com uma estrela de batalha.
 
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Primeira Nota:

    O nome do navio a vapor S.S. Konig Wilhelm II, foi construído em homenagem ao rei Wilhelm II que governou o ducado de Wurttemberg (território alemão) de 1891 a 1918. Ele nasceu em Stuttgart em 1848 e morreu em 2 de outubro de 1921 em Bebenhausen. Este rei popular foi forçado a renunciar em 1918 no final da Primeira Guerra Mundial. 

  Após sua renúncia, ele nunca mais entrou na cidade-residência real de Stuttgart, estabelecendo-se em Tübingen. Seu desejo era ter um túmulo simples no antigo cemitério de Ludwigsburg. Ele é memorializado com uma estátua dele andando com seus cães em frente ao Wilhelmspalais, a residência real em Stuttgart.
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Segunda Nota:

    Ao analisar um trecho da obra do Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza (2002), verifica-se que a data informada sobre a viagem de Manoel Gonçalves de Souza Moreira está errada. 

O autor registrou que Manoel havia feito sua viagem à Europa em 1912, porém, ao pesquisarmos essa informação, foi encontrado um anúncio no jornal "O Paiz" informando que o casal Gonçalves de Souza havia retornado da Europa em 1911, ou seja, a viagem ocorreu antes a data informada.

    Já o pesquisador  Dr. Guaracy de Castro Nogueira foi acautelado ao informar sobre a viagem de Manoel. O historiador somente registra que Manoel Gonçalves de Souza Gonçalves “ ao regressar de sua viagem à Europa em Paris, na cidade Luz, já idoso, passou a meditar […]”
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JORNAL O PAIZ RJ / SEGUNDA,10 DE JULHO 1911


REFERÊNCIAS:

Organização, pesquisa e arte: Charles Aquino -  Profissão Historiador Registro nº 343.

SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de: Itaúna: sua trajetória política, social, religiosa, econômica e cultural, desde a criação do Arraial de Santana do São João Acima, em 14 de outubro de 1765, até a data do centenário de instalação do município: 1765-2002. BH, Santa Clara, 2002, p.127.

Nogueira, Guaracy de Castro, 2014. Biografia de Manoel Gonçalves de Souza Moreira. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/manoelzinho-e-dona-cota.html  

Sousa, Monsenhor Hilton Gonçalves de. Manoel Gonçalves. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/manoel-goncalves-de-souza-moreira-entre.html  

Nogueira, Guaracy de Castro Nogueira. Dona Cota. Disponível em:  https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/maria-goncalves-de-souza-moreira-dona.html  

Nogueira, Guaracy de Castro Nogueira. Manoelzinho e Dona Cota. Disponível em:  https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/batismo-manoel.html

Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em detalhes, 2003, p.36.

Nav Source Online: Service Ship Photo Archive. Disponível em: http://www.navsource.org  

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Instituto Cultural Maria Castro Nogueira

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