sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

SANTA CASA


 Um Aspecto do Local Onde Seria Construída a Santa Casa em Itaúna

A cidade de Itaúna, conhecida por sua rica história e pela dedicação de seus cidadãos ao bem-estar coletivo, estava prestes a dar um novo passo significativo na área da saúde. Planejava-se a construção da tão esperada Santa Casa, uma instituição que prometia trazer alívio e assistência médica para todos os necessitados da região.

No Brasil, Casa de Caridade, Santa Casa e Casa de Misericórdia eram termos usados indistintamente para se referir a instituições de assistência aos necessitados. Essas entidades tinham suas raízes nas Misericórdias, tradicionais instituições portuguesas que há mais de cinco séculos desempenhavam um papel crucial na administração de hospitais e na prestação de assistência social. Estas instituições, presentes tanto na metrópole portuguesa quanto em todas as suas províncias ultramarinas, conquistaram um prestígio raro devido à sua eficácia e caráter humanitário.

O local escolhido para a construção da Santa Casa em Itaúna era uma área estratégica, bem localizada e de fácil acesso para a população. Este terreno não só oferecia um espaço amplo para a edificação de uma infraestrutura hospitalar moderna e eficiente, mas também simbolizava a esperança e a renovação para muitos cidadãos que necessitavam de cuidados médicos constantes.

A nova Santa Casa seria um centro de excelência em saúde, equipado com as mais recentes tecnologias e contando com uma equipe de profissionais altamente capacitados. Além de prestar atendimento médico-hospitalar, a instituição também se dedicaria a diversas ações sociais, como a promoção de campanhas de prevenção de doenças e programas de educação em saúde.

As Casas de Misericórdia, desde sua fundação, sempre tiveram como objetivo principal a administração de hospitais e a prestação de assistência aos mais necessitados. Fundadas no século XV em Portugal, essas instituições rapidamente se espalharam pelas colônias, incluindo o Brasil, onde se tornaram sinônimos de caridade e cuidado com o próximo.

Em Portugal, a primeira Misericórdia foi fundada por Dona Leonor de Lencastre, rainha de Portugal, em 1498. Desde então, essas instituições passaram a se dedicar não apenas à saúde, mas também a outras obras de misericórdia, como alimentar os famintos, dar abrigo aos desabrigados e educar os órfãos.

 No Brasil, as Santas Casas de Misericórdia foram responsáveis por fundar e administrar muitos dos primeiros hospitais do país, desempenhando um papel crucial na formação do sistema de saúde brasileiro. A tradição de cuidado e assistência das Santas Casas continuava até hoje, adaptando-se às novas demandas e desafios da sociedade moderna.

A construção da nova Santa Casa em Itaúna representava um marco na história da cidade, reforçando o compromisso da comunidade com a saúde e o bem-estar de seus cidadãos. Esta instituição não só melhoraria a qualidade de vida da população local, mas também serviria como um exemplo de dedicação e solidariedade para outras comunidades.

A expectativa era que a nova Santa Casa se tornasse um centro de referência em saúde na região, atendendo a pacientes de diversas localidades e contribuindo significativamente para a melhoria dos indicadores de saúde pública. Além disso, a instituição seria um polo de formação e capacitação de profissionais da área da saúde, promovendo o desenvolvimento de novas técnicas e práticas médicas.

A construção da Santa Casa em Itaúna foi um passo importante para a cidade e para a região, trazendo consigo a promessa de melhores condições de saúde e assistência para todos. Com raízes históricas profundas nas Misericórdias portuguesas, a nova instituição continuaria a tradição de cuidado e caridade, adaptando-se aos desafios contemporâneos e mantendo viva a essência de sua missão: servir aos necessitados com dignidade e respeito.

A cidade de Itaúna, com sua rica história e compromisso com o bem-estar social, certamente via na nova Santa Casa um símbolo de esperança e renovação, garantindo um futuro mais saudável e próspero para todos os seus cidadãos.



Organização: Charles Aquino

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

TESTAMENTO 1º PARTE

MANOEL GONÇALVES DE SOUSA MOEIRA
(Primeira Parte)

Em nome de Deus, Amém. É este o meu testamento e disposição de minha última vontade. Declaro que sou natural da cidade de Itaúna, Estado de Minas Gerais, comarca da cidade do Pará; que sou filho legítimo de Manoel José de Sousa Moreira e dona Joaquina de Jesus, já falecidos; que sou casado com Maria Gonçalves de Sousa Moreira, não havendo filhos de nosso casal; que os nossos bens se ligam; que por este revogo "in totum" (no todo) o meu testamento anterior a este, aprovado pelo Tabelião Doutor Plínio de Mendonça; e que nada devo a pessoa alguma. 
Deixo à minha mulher Maria Gonçalves de Sousa Moreira, o usufruto, durante toda a sua vida, de uma morada de casa, sita na rua Tupis, número cinquenta e um, nesta capital, com todo o seu terreno cercado de gradil de ferro e muros, que são três lotes, com mil e oitocentos metros quadrados, números vinte, vinte e um e vinte e dois do quarteirão vinte e quatro, da terceira secção urbana. 
Deixo mais à mesma o usufruto de cem apólices federais, sendo oitenta e cinco números quatrocentos e vinte mil, novecentos e sete quatrocentos e vinte mil novecentos e noventa e um, e quinze de números sessenta e seis mil, seiscentos e quarenta e seis, sendo estas de emissão de vinte e nove de março de mil novecentos e onze, todas de valor nominal de um conto de réis cada uma, e juros de cinco por cento(5%) ao ano. 
Deixo mais à mesma o usufruto de uma casa que estou construindo na cidade de Itaúna, perto da Casa de Caridade, em terreno comprado ao senhor Tobias Viana e sua mulher. Deixo à mesma toda a mobília que existir, roupas de cama e de vestir, na casa da rua Tupis número cinquenta e um, bem como o cofre de ferro (burra), os anéis de ouro com brilhantes que existir e toda mais joia. 
Deixo às minhas sobrinhas, mulheres, filhas do meu irmão Virgílio, já falecido, que estiverem solteiras, por ocasião de minha morte, cem ações da Companhia Tecidos Santanense de valor nominal, duzentos mil réis, em partes iguais, as quais serão por elas administradas e não aliená-las, enquanto não tiverem trinta anos de idade. 
Deixo ao meu sobrinho Sebastião, filho de meu irmão Orozimbo Gonçalves de Sousa Moreira, cinquenta ações da Companhia de Tecidos Santanense, de valor nominal, duzentos mil réis, as quais não poderá aliená-las enquanto não tiver trinta anos de idade, passando por morte aos seus herdeiros. 
Deixo a meu sobrinho e afilhado Augusto, filho de meu irmão doutor Augusto Gonçalves de Sousa Moreira, vinte ações da Companhia Tecidos Santanense de valor nominal, duzentos mil réis, e mais o meu relógio de ouro "Pateck Philipe". 
Deixo à minha parente e afilhada Gumercinda, filha do finado Cassiano Dornas, vinte ações da Companhia Tecidos Santanense. 
Deixo ao meu irmão Jovino Gonçalves de Sousa Moreira, vinte ações da Companhia Tecidos Santanense, valor nominal de duzentos mil réis. 
Deixo três contos de réis para serem distribuídos aos pobres da cidade de Itaúna, no sétimo, trigésimo e quinquagésimo dia do meu falecimento. 
Declaro que as apólices federais, cem de valor nominal de um conto de réis cada uma, juros de cinco por cento ao ano, e as moradas de casas, uma sita na rua Tupis, número cinquenta e um, nesta capital e todo o seu terreno, que são três lotes, números vinte, vinte e um e vinte e dois (22), do quarteirão vinte e quatro, da terceira secção urbana, e outra em Itaúna, perto da Casa de Caridade, que deixo à minha mulher o usufruto, durante toda a sua vida, passarão por sua morte a pertencer à Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Sousa Moreira", que estou construindo em Itaúna, em terreno que comprei do senhor Tobias Viana e sua mulher e, se falecer antes de concluí-la, a minha testamenteira ou testamenteiro a concluirá, vendendo para esse fim os bens precisos, reservando para seu patrimônio as apólices federais e estaduais, as ações da "Companhia Industrial Belo Horizonte" e as da "Companhia Tecidos Santanense", só gastando em seu custeio os juros e dividendos.
Essas ações não poderão ser alienadas, sim sub-rogadas, por apólices da dívida pública federal ou estadual, inalienáveis.  




Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em Detalhes
Edição: Jornal Folha do Povo
Editor: Renilton Gonçalves Pacheco
Pesquisa e redação final: Guaracy de Castro Nogueira
Fonte de pesquisa: Fundação Maria de Castro / Itaúna em Dados
Textos: Sérgio Cunha
Diagramação: Márcio Heleno Santos / Daniel Machado Campos
Ano: 2003
Impressão: Gráfica São Lucas Ltda.
Fascículo nº: 37


TESTAMENTO SEGUNDA PARTE: < http://itaunacaridade.blogspot.com.br/2014/12/testamento-1-parte.html >



TESTAMENTO 2ª PARTE

MANOEL GONÇALVES DE SOUSA MOEIRA
(Segunda Parte)

Essa casa denominar-se à "Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira", será administrada pela Câmara Municipal da cidade de Itaúna, que poderá criar uma associação ou irmandade para administrá-la, e em sua falta pela diretoria da "Companhia Tecidos Santanense".
Declaro que o meu testamenteiro ou testamenteira, mandará celebrar cinquenta missas por minha alma, além da do sétimo , trigésimo e quinquagésimo dia do meu falecimento, dez por alma de meus parentes, dez por alma de minha mulher, dez por alma de meus pais; que a administração da Casa de Caridade mandará celebrar anualmente, enquanto ela existir, oito missas, sendo duas por minha alma, duas por alma de minha mulher, duas por alma de meu pai e duas por alma de minha mãe. 
Deixo oito contos de réis para se erigir um mausoléu de mármore em meu jazigo perpétuo, ficando a sua conservação, zelo e limpeza a cargo da administração da "Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira", que o conservará sempre limpo e bem cuidado. Instituo a "Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira", herdeira do remanescente de todos os meus bens, valores e haveres, deduzida a importância de todos os legados, de todas as minhas disposições e despesas de funeral que será de primeira classe. 
Desejo que meu corpo seja sepultado na cidade de Itaúna, se falecer em lugar que me possa ser transportado, sem ser embalsamado. Nomeio meus testamenteiros minha mulher, Maria Gonçalves de Sousa Moreira, meu afilhado Augustinho Gonçalves de Sousa, doutor Alcides Gonçalves de Sousa e meu irmão, Augusto Gonçalves de Sousa Moreira, servindo um no impedimento do outro na ordem em que ficam mencionados.
Deixo como prêmio ao trabalho de testamenteiro, sessenta ações da Companhia Tecidos Santanense, de valor de duzentos mil réis cada uma, à testamenteira ou testamenteiro que aceitar, por essa quantia, e der cumprimento a todas as disposições deste, no prazo de seis meses. Belo Horizonte, três de março de mil novecentos e dezessete. Manoel Gonçalves de Souza Moreira.
Termo de aprovação: O testamento foi, em seguida, aprovado no mesmo dia, no cartório do Tabelião do Primeiro Ofício, Plínio de Mendonça, na presença do Coronel Manoel Gonçalves de Souza Moreira, "que se achava de pé em seu perfeito juízo e entendimento" e das testemunhas que foram convocadas. Depois de ele afirmar que era seu testamento e última vontade e que por ele revogava outro qualquer ou codicilo, foi fechado, cosido e lacrado com cinco pingos de lacre por banda, com a rubrica do tabelião.
Termo de Abertura: Foi aberto aos vinte e um dias do mês de julho de mil novecentos e vinte, no Palácio da Justiça em Belo Horizonte, na presença dos senhores doutor Horácio de Andrade, juiz de direito da segunda vara e do doutor Alcides Gonçalves de Sousa, tendo o testador falecido no dia anterior, às onze horas da noite.
Termo de aceitação: A testamenteira, sua mulher, Maria Gonçalves de Sousa Moreira, compareceu em companhia de seu advogado, dr. Alcides Gonçalves de Sousa, no dia doze de agosto de mil novecentos e vinte , ao Palácio da Justiça, no cartório do Tabelião doutor Plínio de Mendonça, sendo o termo de aceitação para cumprir o testamento e requerer o inventário assinado pelo escrivão Galdino de Freitas. Transcreveu-se a procuração dada ao dr. Alcides Gonçalves de Sousa e ao dr. Tomaz Andrade, aos 28 de julho de 1920 (livro 77, fls.46), o primeiro casado residente em Pitangui e o segundo solteiro residente em Belo Horizonte.


Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em Detalhes
Edição: Jornal Folha do Povo
Editor: Renilton Gonçalves Pacheco
Pesquisa e redação final: Guaracy de Castro Nogueira
Fonte de pesquisa: Fundação Maria de Castro / Itaúna em Dados
Textos: Sérgio Cunha
Diagramação: Márcio Heleno Santos / Daniel Machado Campos
Ano: 2003
Impressão: Gráfica São Lucas Ltda.
Fascículo nº: 37

CAPELÃO WALDEMAR

Revmo. Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira

Capelão da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira

 Nasceu em 12 de junho de 1900 na cidade de Ouro Preto. De família pobre, ficou órfão muito cedo e foi criado pelo avô. Sua vocação religiosa despertou ainda quando era criança e foi coroinha na Igreja do pilar de Ouro Preto e, depois de ordenado, sempre buscou a santidade. Foi sacristão da paróquia de Ouro Preto, porteiro do Colégio Arnaldo e depois auxiliar do palácio do bispo Dom Cabral, o que lhe possibilitou ingressar no seminário em 1926. Exerceu seu ministério em vários lugares.

Foi Capelão do noviciado da piedade, vigário em Maravilhas, Papagaios, Pequi, Itaúna, Santo André (Belo Horizonte), Igaratinga, Santanense e, em 1957, começou a viver sua vocação na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira como Capelão, onde permaneceu por 29 anos. Faleceu em 03 de outubro de 1986 depois de 55 anos dedicados á vida religiosa. Padre Waldemar foi um exemplo. Com simplicidade, silenciosamente trabalhou com abnegação e heroísmo e, na construção da igreja Matriz, deixou seu suor e trabalho registrados.[1]

A Casa de Caridade "Manoel Gonçalves", funciona em prédio moderno, com toda aparelhagem adequada às exigências atuais. Dirigida por 7 Irmãs da Congregação Auxiliares da Piedade, sendo o seu provedor atual Dr. Virgílio Gonçalves de Sousa. O Capelão é o Revmo. Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira que forneceu-nos o movimento espiritual : 15 mil comunhões por ano; Confissões in extremis, uma média de 80; Viáticos: 50; extrema-Unção: 50; Encomendações:30.[2]

BIOGRAFIA COMPLETA  CLICAR NA FOTO



 [1] Jornal Centenário de Itaúna.

[2] Jornal A Semana. Divinópolis, 1959.

Organização: Charles Aquino

Acervo fotográfico: Antônio Gomes / Itaúna MG

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

C.C.M.G.S.M.

Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira

A Casa de Caridade Manoel Gonçalves, foi fundada devido à generosidade do benemérito Itaunense cel. Manoel Gonçalves de Souza Moreira, que deixou em testamento grande parte de seus haveres, avaliados e mais de mil contos, destinados a amparar e minorar os sofrimentos dos desprotegidos da sorte. A actual meza administrativa é a seguinte: Dr. Dario Gonçalves, Provedor; Mardocheu Gonçalves de Sousa, vice-provedor; Dr. Affonso dos Santos, Secretário; Francisco de Araújo Santiago, Thesoureiro; Francisco Marques da Silva, Procurador. Sobre este notável estabelecimento, nada se pode accrescentar às impressões de um illustre visitante, transmittidas a um jornal carioca, em fins de Outubro.
"A Casa de Caridade Coronel Manoel Gonçalves de Souza Moreira", é uma das melhores de todo o Estado de Minas, gosando de grande e proclamada reputação regional. Distando pouco mais ou menos de um kilometro da cidade, á margem da linha férrea, onde existe uma pequena parada para o embarque e desembarque dos innumeros doentes que alli afluem, erguem-se magestoso o vasto e imponente prédio. Magnificamente installada, construida em logar saudável, está amplamente dotada de todo os requisitos necessários à prática da cirurgia moderna. As operações cirurgicas são feitas diariamente alli. Corta-se de manhã e á noite ...
O principal médico operador da Santa Casa de Itaúna, é o dr. Dorinato Lima. Este é o chefe do corpo médico, o tudo dalli, hoje considerado como um dos nossos melhores e mais competentes operadores, e tanto trata com carinho o rico como o pobre. Como dissemos, á Santa Casa de Itaúna chegam diariamente, doentes á procura de remédio. Indivíduos papudos, aleijados, estropiados, cambaios, de tudo alli se vê. Estive na presença de um doente "barriga d'agua", vindo de São José do Canastrão, há mais de 200  léguas de Itaúna, esperançoso - disse elle - de que o Dr. Dorinato lhe tirasse a água da barriga. De Bello Horizonte, Juiz de Fóra, até mesmo do Rio, segundo apuramos, vem gente se operar na Santa Casa de Itaúna. Todo o mundo alli proclama a excellencia do corpo clinico e cirúrgico do hospital.
Também são médicos daquella casa os drs. Dario Gonçalves, Antônio Lima Coutinho e Lincoln Nogueira Machado. O doentes se destacam pela infinita bondade de seus corações, como a superiora, Irmã Candida  de Jesus, Irmã Celeste, Irmã Amélia, Irmã Alda, Irmã Therezinha e Irmã Clara. Há ainda três enfermeiros que são bastantes solícitos e attenciosos para com os doentes; são elles os srs. Messias, Bonifácio e Benedicto. A Santa Casa possue uma optima  pharmacia e uma perfeita installação dos apparelhos de Raio X. Assim, graciosamente deixamos registrada a optima impressão que trouxemos da Santa Casa de Itaúna.



REFERÊNCIA:
Organização e pesquisa: Charles Aquino
Texto digitado conforme o original
Silveira, Victor. Minas Geraes em 1925. Belo Horizonte, 1926, p.708 (Obra Subvencionada Pelo Governo do Estado com a Auctorização do Congresso Mineiro. Organisador e Editor: Victor Silveira).
Acervo fotográfico: Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho

OBRA BENEMÉRITA

JORNAL O IMPARCIAL
 SEXTA - FEIRA, 19 DE NOVEMBRO 1915.  

Está se construindo na próspera cidade mineira de Itaúna um moderno e confortável hospital de caridade, que o antigo comerciante daquella praça, sr. coronel Manoel Gonçalves de Souza Moreira, hoje presidente da Junta Commercial de Minas, vae doar á pobreza da zona Oeste do estado. 

É uma obra benemérita, das poucas que se conhecem no Brasil. Raros são os capitalistas que consomem as verbas da sua fortuna em donativos deste alcance. Contam-se nomes como Gonçalves de Araújo, Júlio Ottoni e José Carlos Rodrigues, aqui, o saudoso Halield, em Juiz de Fóra, e poucos outros. Nesta obra de benemerência, o coronel Manoel Gonçalves gastará seguramente cem contos de réis, visto numa linda explanada, á margem do rio São João, de salubérrimo clima, o disporá de todos os apetrechos da moderna cirurgia e clinica.

A casa de caridade "Coronel Manoel Gonçalves" terá: uma vasta enfermaria para mulheres, outra para homens, uma sala de cigurgia, uma capella, quatro quartos particulares, vasta cosinha independente, ampla lavanderia, um quarto para religiosas, dois lavabos, quatro  "Water-closets", duas banheiras completas, vestíbulo, sala para portaria, óptimo alpendre de entrada, tudo separado por seis vastos corredores, área ajardinada e uma passagem para a cosinha.

O edifício terá 32, m 35 de fundo por 27, m 90 de frente, e será todo de cantaria, concreto, cimento e argamassa de cal e areia, devidamente ladrilhado e assolhado.

Resta notar que o clima de Itaúna é um dos melhores do Brasil, óptimo para tuberculosos e convalescentes, e foi quase preferido pelo sábio Lund[1], quando procurou estabelecer-se no Brasil para sua cura.



[1]  Peter Wilhelm Lund : Diplomou-se em Medicina pela Universidade de Copenhague em 1821, doutorando-se posteriormente pela Universidade de Kiel. Grande estudioso de Botânica e Zoologia, viajou em 1825 para o Brasil, onde percorreu as províncias do Rio de Janeiro e São Paulo. Nestas excursões, coletou grande quantidade de material, que enviava, em parte, para o Museu de História Natural da Dinamarca.

*Digitado conforme original.